terça-feira, 14 de julho de 2015

RESENHA: FESTIVAL GUITAR-CE 2015 (11/07/15 - Praça da Juventude, Pacatuba)

Fotos: Willkison Sales 

Infelizmente no Ceará, contempla-se uma segregação artística muito grande no que se refere à música autoral e cover. A situação chega ao cúmulo de existir um festival de Rock (talvez um dos maiores do Nordeste, pois não é realizado apenas no Ceará) só com bandas covers, sem falar que também em alguns bares da capital habitualmente oferecem atrações do mesmo tema a seus clientes. Por outro lado, as casas alugadas para outros eventos undergrounds, em sua maioria acolhem grupos da cena autoral que são sempre prestigiados por um público às vezes menor, mas fiel.   





Claro que isso não é regra, e nesse caso jamais o interesse particular das pessoas deve ser contestado por suas preferências. Para quem – assim como eu – acha isso uma incrível bobagem, existem ambientes que oferecem as duas modalidades. Em plena Praça da Juventude em Pacatuba, essas questões conviveram na maior harmonia presenciada por um bom público.  O evento chamado GUITAR-CE fez comparecer gente de alguns pontos locais como também de cidades vizinhas como Maracanaú, Itaitinga e Fortaleza. A realização foi de um dos quiosques que adornam o logradouro que ofereceu a quem estava lá, uma noite “0800”, inclusive com sorteios de brindes. Opa, espera aí! Como houve sorteios se o evento era ‘open air’ sem cobrança de ingressos? Sim, o dono do estabelecimento distribuiu uma quantia de senhas a algumas dezenas de clientes que puderam concorrer aos prêmios.

Já passavam das 18:00h quando um combo de motociclistas chegava ao local trazendo consigo os integrantes da banda SOUL IN AGONY. As coisas pareciam bem, mas até ali ninguém sabia ainda como seria a sequência do ‘set’. Depois de mais demora, finalmente a própria banda dos motociclistas resolveu abrir a noite às 19h:20min. Os ‘Deathbangers’ que contam com dois EPs lançados, já mantém uma base de seguidores muito próxima atraída pela música agressiva e simplicidade de seus membros. Dentre os quatro, é nítido o melhoramento vocal de Rodrigo Psicothrash – e olha que antes já era um absurdo –, os graves guturais do moço agora parecem mais “tonificados” e os rasgados mais fortes. Outro ponto forte são os riffs do guitarrista Cassiano Vagner que atacava com o peso de músicas como ‘Portões Do Inferno e ‘Terror E Destruição’.

Soul In Agony

Depois de muita demora na passagem de som, o DYNAMITE acerta o equipamento e “manda bala” com seu Hard Rock guiado pelos drives agudos de John Naza. A banda possui um bom repertório autoral que fez mais bangers aglomerarem-se na parte frontal entre o palco e as mesas. A desenvoltura dos músicos, apesar do pouco espaço do palco, é sempre um item apreciativo, pois a intimidade com as pessoas é ampliada a cada apresentação. Depois de um recesso de um ano sem tocar o Dynamite mostrou não apenas o novo baterista, Túlio Riot, mas que a faca continua nos dentes. O que não faltou também foram os covers que eles sempre fazem em seus shows com nomes como Kiss, W.A.S.P. e outros monstros. Para essa noite escolheram músicas do Accept (Fast As A Shark) e do AC/DC (Whole Lotta Rosie).

Dynamite

O aviso de que a próxima banda iria atrasar por problemas de transporte foi meio que um balde de água fria para a galera que estava ali já com o sangue aquecido. Somado ao atraso do início do festival e as “difíceis” passagens de som, não restava nada ao público senão secar as bebidas do bar e ir ao banheiro.

Depois de tudo resolvido o KHARAVAN inicia sua performance ainda com um bom número de pessoas na praça. O lugar aberto e cercado de comércio é bastante frequentado por diversos tipos de pessoas, isso possibilitou de alguém muito sem noção ter chegado com som de carro em frente ao evento incomodando “uma pequena legião”. Claro que o tal forrozeiro se sentiu peixe fora d’água e deu no pé rapidinho. Enquanto isso a banda ia levando o seu compromisso de entreter o povo com muito Heavy Metal. Por ser um grupo de repertório autoral não muito extenso, talvez pelo pouco tempo de atividade, o Kharavan complementou-o com covers de suar o colete. Dividiram espaço com as execuções próprias, canções como ‘Sole Survivor’ (Helloween) e clássicos do Iron Maiden como 'Wrathchild' e 'The Trooper'. Destaque merecido aos backings do baixista.

Kharavan

O momento agora passou a ser comandado por uma banda inteiramente cover, a HOLY DIVER que pelo nome já entrega de quem seja –, sim, do baixinho mais adorado do Heavy Metal que um dia antes desse evento completaria 73 anos de idade se o “dragão” (nome que dera ao câncer que sofria) não o tivesse vencido em 2010. Os clássicos escolhidos pela banda não poderia representar melhor a pessoa de Ronnie James Dio. Os músicos exibiram categoria impressionante, mas como tudo não é mar de rosas, talvez coubesse alguns backing vocais, principalmente nas canções da fase Rainbow que são muito melódicas, fora isso o que os quatro caras fizeram no palco com músicas como ‘Kill The King’, ‘Children Of The Sea’ e ‘Man On The Silver Mountain’ foi pra merecer muitos aplausos. O vocalista possui linhas vocais fiéis e os solos do experiente guitarrista saiam muito honrados – até o começo da bateria de ‘Computer God’ transmitiu o charme da pegada original. Não resta dúvida de que valeu a pena esperar cada banda e, com certeza, esse último 'set' foi a cereja do bolo representada pela clássica 'Heaven And Hell'. Um bolo que comemorou e provou que cover e autoral pode sim dividir o mesmo público.

Holy Diver


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